Notícia

12 de Setembro, 2017

Papa concede entrevista no voo de volta da Colômbia

Intenções dos presidentes Trump e Maduro, imigrações nos Estados Unidos e o clima foram alguns dos temas abordados por Francisco durante coletiva

O Vaticano divulgou nesta segunda-feira, 11, um resumo da entrevista coletiva concedida pelo Papa Francisco durante o voo de retorno à Roma, após sua viagem apostólica à Colômbia. O Santo Padre abriu a coletiva com uma consideração espontânea sobre a viagem e, em seguida, foram abordados temas atuais, como a situação na Venezuela, intenções dos presidentes Trump e Maduro, imigrações nos Estados Unidos e o clima.

Se o povo quiser a paz

Como habitualmente, as perguntas de início cabem aos jornalistas do país visitado. Dois jornalistas pediram a Francisco que se expressasse sobre a Colômbia pós-acordo de paz e a questão da corrupção.

O Papa afirmou que a guerrilha foi uma “doença”, mas reconheceu a existência de “passos que dão esperança”. O Pontífice acrescentou ter percebido que a vontade de seguir adiante neste processo vai além das negociações, “é uma vontade espontânea”. Pontuou ainda que “existe a força do povo”, que, porém, “deve ser ajudado com a proximidade, oração e compreensão”.

Os corruptos e o “modelo Colômbia”

A corrupção é uma das fortes questões do pontificado de Francisco, que recordou o livro escrito sobre o tema e também as convicções já expressas sobre o corrupto, “pessoa que se cansa de pedir o perdão e se esquece de pedi-lo a Deus que não lhe negaria e que, em todo caso, é o único que pode salvar uma pessoa que se encontra nessa situação”, reiterou.

O tema do povo protagonista de seu destino voltou na resposta aos jornalistas de língua espanhola, que lhe perguntaram se era possível replicar o “modelo Colômbia”, ou seja, de uma negociação com mais vozes participantes.

Certamente, já aconteceu, confirmou o Papa, “mas o fato é que mais do que a ONU, mais do que políticos ou técnicos, um processo de paz seguirá adiante se o povo o assume. Do contrário, serão compromissos pouco resolutivos”, acrescentou.

Desastres ambientais e responsabilidade

Outro tema abordado na coletiva foi um tema que Francisco tem a peito: a questão ambiental. Os sucessivos furacões, em breve espaço de tempo, que estão destruindo amplas áreas da América Central são um drama que “chama cada um a suas responsabilidades morais, inclusive os governantes”.

Imigrados, reconhecimento à Itália e Grécia

Os jornalistas italianos quiseram saber a posição do Papa em relação à falta de prontidão dos governos no que diz respeito à imigração. Perguntaram o porquê de não serem solícitos como se deveria, quando, ao invés, o são, por exemplo, sobre a venda de armas. “Porque o homem é estúpido”, rebateu o Santo Padre citando a Bíblia, “e quando decide não enxergar, não vê”.

Sobre a gestão dos migrantes que partem da Líbia, Francisco disse não ter tratado do tema durante o encontro com o premier italiano Gentiloni e, sobretudo, sentir um “dever de gratidão” para com a Itália e a Grécia, “porque abriram o coração aos migrantes”. “Abertura que não pode prescindir da capacidade de cada país singularmente considerado. Todavia, a verdadeira questão em jogo é a integração ou o seu oposto”, insistiu.

Durante a coletiva, o Papa fez um aceno também à África, sobre o qual recai ainda uma convicção radicada, isto é, que se trata de um continente a ser explorado, ao invés de ser ajudado a reerguer-se.

Trump e Maduro

Ainda sobre a migração, Francisco foi interpelado também acerca da abolição da lei estadunidense “Dreamers”, que elimina as proteções queridas por Obama para 800 mil menores imigrantes ilegalmente.

Embora reconhecendo não conhecer profundamente os termos, o Pontífice espera uma reconsideração do governo. “Sei que o presidente estadunidense se apresenta como homem pro-life. Se é um bom pro-life, entende, a família é o berço da vida e sua unidade deve ser defendida. Vez que se tiram as raízes dos jovens, drogas, dependências e suicídios tornam-se as terríveis saídas que eles encontram”, observou.

Sobre a questão venezuelana, Francisco ressaltou que “a Santa Sé falou forte e claramente” e que acerca das declarações do presidente Maduro cabe a ele explicá-las. Segundo o Papa, “mais doloroso” é o problema humanitário e, sobre isso, a ONU “deve fazer ouvir a sua voz”.

Colômbia, país cujo povo tem esperança e futuro

Após cerca de 40 minutos de coletiva, uma momentânea turbulência induziu a interromper o diálogo com os jornalistas. A esse ponto, o Papa Francisco escolheu despedir-se como havia iniciado o encontro, falando sobre como a Colômbia o impressionou.

Impressionado em particular com os pais e mães que levantavam seus filhos quando ele passava para que fossem vistos e abençoados. Esse “é um símbolo de futuro, de esperança”, concluiu. Um povo “capaz de fazer crianças e depois mostrá-las como se fossem tesouro, esse é um povo que tem esperança e tem futuro”.


Fonte: Amex, com Rádio Vaticano