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01 de Julho, 2019

"A única medida possível para quem segue Jesus é amar sem medida", diz Papa

Francisco presidiu a Santa Missa na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

“A santidade não está no elevar-se mas em humilhar-se: não é uma subida na classificação, mas confiar dia a dia a própria pobreza ao Senhor, que realiza grandes coisas com os humildes”. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa celebrada na Basílica Vaticana no último sábado, 29, por ocasião da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

Na homilia, o Pontífice ateve-se à figura dos Santos Pedro e Paulo, colunas da Igreja. Ele apontou que os dois apóstolos “aparecem aos nossos olhos como testemunhas”, pois “nunca se cansaram de anunciar”, desde a terra de Jesus até Roma, e levaram o seu testemunho até ao fim, dando a vida como mártires.

Testemunhas de Vida

O Santo Padre falou sobre o testemunho de vida Pedro e Paulo. “E, todavia, as suas vidas não foram límpidas nem lineares. Eram ambos de índole muito religiosa: Pedro, discípulo da primeira hora; Paulo, acérrimo defensor das tradições dos pais. Mas cometeram erros enormes: Pedro chegou a negar o Senhor; Paulo, a perseguir a Igreja de Deus”.

De acordo com Francisco, Jesus chamou-os pelo nome, mudou suas vidas e, depois de todas as aventuras, fiou-Se deles, dois pecadores arrependidos. “Poderíamos perguntar-nos: Porque é que o Senhor não nos deu duas testemunhas integérrimas, com a ficha limpa, com a vida ilibada? Porquê Pedro, quando havia João? Porquê Paulo e não Barnabé?”, frisou, acrescentando que nisto encerra-se uma grande lição:

“O ponto de partida da vida cristã não está no fato de serem dignos; com aqueles que se julgavam bons, bem pouco pôde fazer o Senhor. Quando nos consideramos melhores que os outros, é o princípio do fim. O Senhor não realiza prodígios com quem se crê justo, mas com quem sabe que é necessitado. Não é atraído pela nossa habilidade, não é por isso que nos ama. Ele ama-nos como somos, e procura pessoas que não se bastam a si mesmas, mas estão prontas a abrir-Lhe o coração. Pedro e Paulo apresentaram-se assim transparentes diante de Deus”, explicou o Papa.

O Pontífice relembrou que Pedro disse imediatamente a Jesus: «Sou um homem pecador». “Paulo escreve que era «o menor dos apóstolos, nem [era] digno de ser chamado Apóstolo». E, na vida, mantiveram-se nesta humildade até ao fim”.

Testemunhas de Perdão

Durante a solenidade, Francisco também revelou os Apóstolos como testemunhas do perdão. Segundo ele, o perdão do Senhor foi o segredo para que Pedro e Paulo continuassem para adiante em meio às fraquezas.

“Descubramo-los, pois, como testemunhas de perdão. Nas suas quedas, descobriram a força da misericórdia do Senhor, que os regenerou. No seu perdão, encontraram uma paz e alegria irreprimíveis. Com o mal que fizeram, poderiam viver com sentimento de culpa: quantas vezes terá Pedro pensado na sua negação! Quantos escrúpulos para Paulo, que fizera mal a tantas pessoas inocentes! Humanamente, faliram; mas encontraram um amor maior do que os seus fracassos, um perdão tão forte que curava até os seus sentimentos de culpa. Só quando experimentamos o perdão de Deus é que renascemos verdadeiramente. Recomeça-se daqui: do perdão”, enfatizou.

Testemunhas de Jesus

Ao continuar, o Pontífice apontou que Pedro e Paulo são, sobretudo, testemunhas de Jesus. “Para a testemunha, mais do que um personagem da história, Jesus é a pessoa da vida: é o novo, não o já visto; a novidade do futuro, não uma lembrança do passado. Por isso, não é testemunha quem conhece a história de Jesus, mas quem vive uma história de amor com Jesus. Porque, no fundo, o que a testemunha anuncia é apenas isto: Jesus está vivo e é o segredo da vida”, disse.

Neste sentido, o Santo Padre convidou os fiéis a interrogarem a si mesmos: “Renovo eu cada dia o encontro com Jesus? Talvez sejamos curiosos sobre Jesus, talvez nos interessemos por coisas de Igreja ou notícias religiosas. Abrimos sites e jornais, e conversamos sobre coisas sagradas. Mas, assim, ficamos no que dizem os homens, nas sondagens, no passado. Mas isto, a Jesus, interessa-Lhe pouco. Não quer repórteres do espírito, e muito menos cristãos de capa de revista. Ele procura testemunhas, que Lhe digam dia a dia: ‘Senhor, Tu és a minha vida’”.

Segundo ele, os Apóstolos, tendo encontrado Jesus e experimentado o seu perdão, testemunharam uma vida nova. “Não mais se pouparam, deram-se a si mesmos. Não se contentaram com meias medidas, mas adotaram a única medida possível para quem segue Jesus: a dum amor sem medida”, completou.

Francisco exortou os fiéis a pedirem a graça de não ser cristãos tíbios, que vivem de meias medidas, que deixam resfriar o amor. “Encontremos as nossas raízes na relação diária com Jesus e na força do seu perdão. Como a Pedro, Jesus pergunta também a ti: Quem sou Eu, para ti? Amas-me tu? Deixemos que estas palavras penetrem dentro de nós e acendam o desejo de não nos contentarmos com o mínimo, mas de apontar para o máximo: sermos, também nós, testemunhas vivas de Jesus”, disse.

Os pastores não vivem para si mesmos, mas para as ovelhas

O Santo Padre concluiu referindo-se aos pálios precedentemente por ele abençoados no início da Celebração Eucarística. Ele destacou que o pálio recorda a ovelha que o Pastor é chamado a carregar aos ombros: “É sinal de que os Pastores não vivem para si mesmos, mas para as ovelhas; é sinal de que, para possuir a vida, é preciso perdê-la, dá-la”.

Por fim, saudou a Delegação do Patriarcado Ecumênico, presente na celebração, “segundo uma bela tradição”. “A vossa presença lembra-nos que não podemos poupar-nos sequer no caminho rumo à plena unidade entre os crentes, na comunhão em todos os níveis”, concluiu.


Fonte: Amex, com Vatican News