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29 de Julho, 2019

Papa: com o "Pai Nosso", Jesus nos faz entrar na paternidade de Deus

No Angelus deste domingo, 28, Francisco refletiu sobre a experiência da oração

Antes de rezar o Angelus com os fiéis na Praça São Pedro, neste domingo, 28, o Papa Francisco refletiu sobre a passagem de Lucas, proposta pela Liturgia do dia, que narra as circunstâncias em que Jesus ensina o “Pai Nosso” aos seus discípulos, destacando também que Jesus encoraja a perseverar na oração.

Atraídos pela ‘qualidade’ da oração de Jesus

Segundo o Santo Padre, os discípulos sabiam rezar segundo as fórmulas da tradição judaica da época, “mas também desejavam poder viver a mesma ‘qualidade’ da oração de Jesus”. “Podem constatar que a oração é uma dimensão essencial na vida de seu Mestre. Na verdade, cada ação importante sua é caracterizada por prolongados momentos de oração”, acrescentou.

O Pontífice explicou que os discípulos percebem que a oração de Jesus revela “uma ligação íntima com o Pai, tanto que desejam ser partícipes desses momentos de união com Deus, para saborear plenamente sua doçura”.

Aproveitando que estavam em um lugar isolado, esperam Jesus concluir sua oração e, tomados por esta curiosidade, pedem que os ensine a rezar.

Fazer a experiência da paternidade de Deus na oração

Em resposta, apontou Francisco, “Jesus não dá uma definição abstrata da oração, nem ensina uma técnica eficaz para rezar e ‘obter’ alguma coisa, mas convida seus seguidores a fazerem a experiência de oração, colocando-os diretamente em comunicação com o Pai, despertando neles um anseio por um relacionamento pessoal com Deus, com o Pai”.

O Santo Padre esclareceu que nisso está a novidade da oração cristã: “Ela é o diálogo entre pessoas que se amam, um diálogo baseado na confiança, apoiado pela escuta e aberto ao compromisso solidário”.

Nesse sentido, dá a eles a oração do Pai Nosso, “talvez o dom mais precioso que nos foi deixado pelo divino Mestre em sua missão terrena”, destacou o Papa.

Em seguida, Francisco explicou que, com a oração, Jesus faz mergulhar na paternidade de Deus: “Quando Jesus nos ensina o Pai Nosso, nos faz entrar na paternidade de Deus e nos indica o modo para entrar em um diálogo orante e direto com Ele, através do caminho da confiança filial. É um diálogo entre o pai e o seu filho, o filho com o pai”.

De acordo com o Papa, o que é pedido na oração do Pai Nosso já é realizado no Filho Unigênito: a santificação do Nome, o advento do Reino, o dom do pão, do perdão e da libertação do mal. “Enquanto pedimos, abrimos a mão para receber os dons que o Pai nos mostrou no Filho. A oração que o Senhor nos ensinou é a síntese de toda oração, e nós a dirigimos ao Pai em comunhão com os irmãos”, ressaltou.

Atrair o olhar do pai: fazer como quando éramos crianças

Após falar da intimidade com Deus na oração revelada por Jesus, o Papa Francisco sublinhou outro aspecto que a oração cristã deve ter: ser perseverante. Para ilustrar, citou a parábola do amigo inoportuno e recordou o que Jesus diz – “É preciso insistir na oração”, explicando:

“Me vem em mente o que fazem as crianças com 3 anos e meio, que começam a perguntar as coisas que não entendem. (...) As crianças começam a olhar para o pai e dizer: ‘Pai, por que? Pai, por que?’. Pedem explicações. Mas, estejamos atentos: quando o pai começa a explicar o porquê, elas vêm com outra pergunta sem escutar toda a explicação. O que acontece? Acontece que as crianças se sentem inseguras a respeito de muitas coisas que começam a entender pela metade. E somente querem atrair sobre si o olhar do pai.”

Com isso, Francisco exortou: “Nós, no Pai Nosso, se nos detivermos na primeira palavra, faremos o mesmo de quando éramos crianças: atrair sobre nós o olhar do pai. Digamos: ‘Pai, Pai’ e também dizer ‘por que?’ e Ele olhará para nós”.

Francisco encerrou sua alocução com uma prece: “Peçamos a Maria, mulher orante, que nos ajude a rezar o Pai Nosso, unidos a Jesus para viver o Evangelho, guiados pelo Espírito Santo”.


Fonte: Amex, com Vatican News